Gestação e parto como símbolos da Deusa

(arte de Amy Swagman)

 

Na era religiosa matriarcal, a grande-deusa-mãe como mãe-lua, mãe-terra ou mãe-natureza, era o poder generativo, seu útero e seios eram venerados. Era a deusa criadora, mãe de tudo o que existe. O universo era visto como uma mulher dando à luz a todas as formas de vida. Na imagem da deusa-mãe, mulheres de tempos antigos encontravam o reflexo de sua natureza mais profunda.


“Nascimento e parto são versões micro-cósmicas de um ato exemplar executado pela terra; mães humanas imitam e repetem o ato primordial que fez a vida aparecer sobre o seio da terra; conseqüentemente, cada mãe tem de fazer contato com a Grande Generatrix e ser guiada por ela para realizar completamente o mistério que é o nascimento de uma vida, como também dela receber energias benéficas e encontrar sua proteção materna.” Mircea Eliade, historiador de religiões

A capacidade natural da mulher de gerar um filho, uma vida no seu corpo é a oportunidade dela vivenciar uma iniciação, regida pelo princípio lunar. Um mistério feminino que implica em submeter-se a um processo de amadurecimento, no qual há uma aquisição de conhecimento que engloba o receptivo, recebendo a semente e nutrindo as raízes em silêncio; é uma doação paciente, tolerante, um entregar-se, agüentando a transformação. 

Neste sentido, a gravidez e o nascimento podem tornar-se uma aventura psicológica profunda, por meio dela a mulher sente sua unidade com a mãe criativa, sua identidade com ela. É um percurso a ser percorrido sozinha, gestando a nova vida em si. A mulher grávida foi venerada desde a antiguidade como representando “algo em si mesma”, “algo individual”, e a gravidez pode propiciar essa experiência de se tornar completa em si mesma, independente do masculino.

Esse se entregar a si mesma ou à deusa em si, não é uma aceitação passiva, mas uma resposta aberta a um momento afirmativo da vida que demanda coragem e fé, isto é, entrega ativa. Uma posição que não interfere, mas colabora com o processo natural. Na hora de dar à luz, ao desistir de si, para ser somente um canal, um meio de escoamento para a nova vida, aceitar a dilatação, a dor da contração, entender uma dinâmica nova, onde as quantidades de esforço e não-esforço só podem ser penetradas por uma visão de conjunto. 

        No parto a mulher experimenta uma descida às profundezas e, como suas ancestrais, independentemente das características próprias de sua personalidade, grau social ou raça, é a criatura fêmea engajada em sua tarefa mais fundamental. Ela está a serviço de trazer à luz o segredo das profundezas, da interpenetração dos elementos formadores da vida humana.”

 

Excerto de um texto encontrado aqui – serve de resposta a todas as pessoas que vêem as grávidas como seres frágeis ou então que viram a cara para o lado e fingem que não me vêem para não ter que me ceder o lugar… Serve também como incentivo a todas as mulheres, grávidas ou que já passaram por essa fase, para perceberem o quão especial é a nossa força! Não somos meras incubadoras, temos em nós a GRANDIOSA benção de gerar VIDA!

 

Being pregnant…

(imagem retirada da net)

“Being pregnant and giving birth are like crossing a narrow bridge. People can accompany you to the bridge. They can greet you on the other side. But you walk that bridge alone.”

~ African proverb

ouvir na barriga da mãe

(imagem retirada da net)

“O equipamento que permite ao seu futuro bebé pôr-se à escuta do mundo encontra-se bem desenvolvido na altura em que chegar ao seu segundo trimestre de gravidez (…) por volta da décima oitava à vigésima semana de vida fetal, o seu bebé ouve e reage a sons do seu meio ambiente (…) O ritmo cardíaco da Mãe e o seu aparelho digestivo proporcionam um ruído de fundo constante, juntamente com o pulsar do afluxo sanguíneo que circula pelos seus próprios vasos.

O ritmo e o tom das vozes humanas são claramente perceptíveis no útero (…) Para o seu bebé , a sua voz é a mais facilmente identificável. Ao contrário dos sons exteriores, abafados até certo ponto, a voz da Mãe está ligeiramente amplificada. Se estiver a cantar, o som produzido no seu útero poderá atingir mais de 80 decibéis, o que é tão alto como o toque de um telefone ou o ruído de um aspirador. O seu feto ouve a sua voz tanto como um som aéreo, como sob a forma de vibrações que se deslocam directamente através dos seus órgãos, tecidos e ossos. Um bebé familiariza-se com a voz da mãe muito antes de sair do seu ventre.

Um bebé aprende a associar sons no útero a sensações de conforto ou de desconforto. O estado emocional da mãe é comunicado ao feto através das moléculas que ele segrega. Se a mãe estiver a participar numa conversa terna, afectiva ou a ouvir música agradável, o cérebro dela desencadeia a libertação de substâncias químicas que reflectem o seu estado de acalmia e de conforto. Estes mensageiros químicos percorrem os sistemas circulatórios materno e fetal, agora ligados pelo cordão umbilical, juntando os sentimentos do bebé aos da Mãe (…)

Encorajamo-la simplesmente a estar consciente de que o ser que transporta consigo está a escutar a sua vida. Sempre que possível, exponha-se a música agradável e não a sons tóxicos, ciente de que a experiência que está a ter está simultaneamente a ser vivida pelo seu futuro bebé.”

 

~ in Corpo, Mente e Espírito na gravidez e no parto, de Deepak Chopra

 

Toxoplasmose

Hoje quero falar de uma das grandes questões que assola uma mulher quando engravida: a toxoplasmose.

Esta é uma questão que causa algum furor quando a mulher descobre que não é imune. “Então agora tenho que livrar-me do meu gato? Deixar de comer saladas ou frutas?” Nada disso! São precisos alguns cuidados sim, mas nada de abandonarem os animais, por favor!

Ora, o que é a toxoplasmose?

É uma doença infecciosa que se transmite através do parasita `toxoplasma gondii´. Qualquer pessoa pode apanhar esta doença, sem qualquer tipo de problema ou sintoma mas, numa mulher grávida, as consequências são graves a nível da formação do feto.

O gato é, de facto, o principal transmissor desta doença mas a água, o solo e vegetais contaminados podem afectar ainda outros animais, como o porco, a vaca ou o carneiro. Alface, tomate ou morangos, por crescerem mais perto do solo, podem ser mais facilmente contaminados mas todos os vegetais podem ter estado em contacto com este parasita.

Como evitar a doença?

O primeiro passo é fazer análises, se possível ainda antes da gravidez. Caso sejamos imunes, nada a recear. À falta de imunidade, devemos ter alguns cuidados ao longo de toda a gravidez:

– lavar muito bem com água corrente todos os vegetais que serão consumidos crus. Deixá-los de molho por alguns minutos com vinagre também funciona muito bem;

– em relação à fruta, o melhor é retirar-lhes a casca;

– a carne deve ser bem cozinhada, nada de pedaços mal passados. Ao mexer em carne crua, lavar muito bem as  mãos e todos os utensílios utilizados;

– usar luvas para fazer jardinagem, mexer em terra ou limpar o cocó dos gatos (ou pedir a outra pessoa para tratar da limpeza da caixa dos gatos);

– os gatos que nunca saem de casa, não costumam caçar, logo, dificilmente entram em contacto com o parasita. E não precisam deixar de lhes dar amor! Caso tenham dúvida, podem ser testar o vosso animal para saberem se contraiu o parasita.

A alimentação na gravidez

A alimentação torna-se especialmente importante nesta fase da vida da mulher e ao longo de toda a gravidez. Fruta e vegetais são essenciais mas outros são os aspectos a ter em conta. Segundo a Dra Marcela Forjaz:

~ ingerir cerca de duas chávenas e meia de vegetais por dia e duas chávenas de fruta;

~ ingerir um vegetal verde-escuro (brócolos, espinafres, grelos de nabo ou de couve, nabiças, espargos…) e um cor de laranja ou avermelhado (tomate, cenoura, pimento, rabanete, abóbora, laranja…) diariamente;

~ consumir os vegetais da forma mais natural possível, sem adicionar sal ou açúcar. Preferir ervas aromáticas ao sal e, no caso de salada de frutas, não adicionar açúcar. Congelados ou enlatados são permitidos;

~ é preferível fazer sumos em casa, sem adicionar açúcar ou adoçantes – não ultrapassar a “ração” de fruta recomendada para o dia;

~ preferir cereais integrais: pão integral, arroz ou massas integrais, cereais de pequeno-almoço integrais… cerca de uma chávena por dia. E, claro, estes devem ser pobres em gorduras, açúcar ou sal;

~ ingerir cerca de três chávenas de leite magro ou meio-gordo por dia. Se preferir, substitua essa quantidade de leite por iogurtes e queijo. Bebidas de soja enriquecidas são também uma opção;

~ evitar carnes vermelhas. Substituir pela soja, feijão, lentilhas e tofu;

~ para quem come carne, esta deve ser magra, aves, sem gordura. Prefira cozidos, estufados e grelhados aos fritos;

~ ingerir duas refeições de peixe por semana, pelo menos;
~ escolha o azeite como gordura na alimentação. Acrescente o azeite às sopas no final da cozedura apenas;
~ prefira sempre a água. Reduza o consumo de bebidas açucaradas, álcool e cafeína (um café por dia apenas).
Um conselho que a Dra dá ainda: ao pequeno-almoço, comer um kiwi ou beber um sumo de laranja antes dos cereais é uma boa forma de obter uma “ração extra de ferro para o dia”.

 

 

preparar a gravidez

É o primeiro passo a dar para que tudo corra bem ao longo desta etapa. Uma preparação física, claro está, mas também psicológica através de meditação e procura de boas energias. Na minha humilde opinião, o mais importante é saber que este é o momento certo e de que os pais tudo farão para o bem-estar da criança que estão dispostos a colocar no mundo.

Quais os passos a dar então para preparar uma gravidez?

~ ir a uma consulta pré-concepcional. Recorrer ao médico de família ou ginecologista atempadamente é crucial para avaliar o estado físico na mulher. Aqui vão fazer-se o rastreio do cancro do colo do útero, através de citologia, análises que vão testar a imunidade à rubéola, toxoplamose, sífilis, entre outros. Deve levar-se o boletim de vacinas – podemos ter que levar alguma vacina antes de engravidar, como a vacina anti-tetânica, por exemplo;

~ eliminar a ingestão de bebidas alcoólicas, tabaco, café, drogas…;

~ praticar exercício físico de forma moderada – marcha, por exemplo;

~ escolher fazer uma alimentação saudável. Preferir vegetais e fruta. Reduzir consumo de sal e gorduras (o que vai reduzir o risco de diabetes e hipertensão durante a gravidez);

~ avisar o médico que a acompanha dos medicamentos que estiver a tomar – possivelmente, terão de ser suspensos antes da gravidez;

~ iniciar a toma de ácido fólico (receitado pelo médico), cerca de 3 meses antes de engravidar. Este vai contribuir para a diminuição de malformações do feto, a nível do tubo neural, permitindo um bom desenvolvimento do sistema nervoso central do bebé;

Não custa nos prepararmos um bocadinho, não acham? Afinal vamos dar vida!