Ter-te cá dentro…

É um amor que cresce e se expande por todos os poros, diariamente, freneticamente…

Se a força dos teus pontapés me coloca neste estado, que farão os teus olhos, as tuas mãos, o teu sorriso?…

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It´s coming…!!

E eis que o Outono se aproxima e com ele toda a magia e conforto dos dias mais frescos.

A época é de recolha, de livros, malhas e botas. As folhas começam a cair ao sabor de ventos misteriosos.

E eu danço. Mulher, grávida do meu principezinho… Danço enquanto espero, paciente, expectante… Dançando celebro a vinda de uma estação que adoro… Dançando celebro a VIDA do meu filho…

Juntos iremos abraçar os encantos deste mundo!

(A propósito, tenho um cantinho novo no Pinterest, onde vou coleccionando imagens que gosto. Não deixem de passar por).

Gestação e parto como símbolos da Deusa

(arte de Amy Swagman)

 

Na era religiosa matriarcal, a grande-deusa-mãe como mãe-lua, mãe-terra ou mãe-natureza, era o poder generativo, seu útero e seios eram venerados. Era a deusa criadora, mãe de tudo o que existe. O universo era visto como uma mulher dando à luz a todas as formas de vida. Na imagem da deusa-mãe, mulheres de tempos antigos encontravam o reflexo de sua natureza mais profunda.


“Nascimento e parto são versões micro-cósmicas de um ato exemplar executado pela terra; mães humanas imitam e repetem o ato primordial que fez a vida aparecer sobre o seio da terra; conseqüentemente, cada mãe tem de fazer contato com a Grande Generatrix e ser guiada por ela para realizar completamente o mistério que é o nascimento de uma vida, como também dela receber energias benéficas e encontrar sua proteção materna.” Mircea Eliade, historiador de religiões

A capacidade natural da mulher de gerar um filho, uma vida no seu corpo é a oportunidade dela vivenciar uma iniciação, regida pelo princípio lunar. Um mistério feminino que implica em submeter-se a um processo de amadurecimento, no qual há uma aquisição de conhecimento que engloba o receptivo, recebendo a semente e nutrindo as raízes em silêncio; é uma doação paciente, tolerante, um entregar-se, agüentando a transformação. 

Neste sentido, a gravidez e o nascimento podem tornar-se uma aventura psicológica profunda, por meio dela a mulher sente sua unidade com a mãe criativa, sua identidade com ela. É um percurso a ser percorrido sozinha, gestando a nova vida em si. A mulher grávida foi venerada desde a antiguidade como representando “algo em si mesma”, “algo individual”, e a gravidez pode propiciar essa experiência de se tornar completa em si mesma, independente do masculino.

Esse se entregar a si mesma ou à deusa em si, não é uma aceitação passiva, mas uma resposta aberta a um momento afirmativo da vida que demanda coragem e fé, isto é, entrega ativa. Uma posição que não interfere, mas colabora com o processo natural. Na hora de dar à luz, ao desistir de si, para ser somente um canal, um meio de escoamento para a nova vida, aceitar a dilatação, a dor da contração, entender uma dinâmica nova, onde as quantidades de esforço e não-esforço só podem ser penetradas por uma visão de conjunto. 

        No parto a mulher experimenta uma descida às profundezas e, como suas ancestrais, independentemente das características próprias de sua personalidade, grau social ou raça, é a criatura fêmea engajada em sua tarefa mais fundamental. Ela está a serviço de trazer à luz o segredo das profundezas, da interpenetração dos elementos formadores da vida humana.”

 

Excerto de um texto encontrado aqui – serve de resposta a todas as pessoas que vêem as grávidas como seres frágeis ou então que viram a cara para o lado e fingem que não me vêem para não ter que me ceder o lugar… Serve também como incentivo a todas as mulheres, grávidas ou que já passaram por essa fase, para perceberem o quão especial é a nossa força! Não somos meras incubadoras, temos em nós a GRANDIOSA benção de gerar VIDA!

 

Let them BE…

Pergunto-me porque tantas vezes criamos etiquetas para rotular pessoas. Não se iludam, todos o fazemos uma vez ou outra, é algo indissociável do ser-se humano. Mas, por vezes, parece-me demasiadamente imediata a forma como julgamos os outros sem os conhecermos verdadeiramente. Porque a essência de cada um é o que de mais pessoal existe e, na maior parte dos casos, até a própria pessoa nem a conhece bem. Reparem como a maior parte das pessoas se caracteriza de forma tão redutora: “Sou bem-disposto, extrovertido e teimoso” são os adjectivos que mais ouço quando alguém se auto-caracteriza.
Tenho estado a pensar muito nestas coisas e, em particular, como também já rotulamos os bebés mesmo ainda antes de nascerem…!

Pois que é o cor-de-rosa para menina e o azul para menino… E, já se sabe, os meninos são mexidos e traquinas… As meninas são doces e calmas…

Porque é que simplesmente não aceitamos o ser humano com humildade e mente aberta, esperando para ver no que se torna ao crescer? Acredito que o meu bebé já tem a sua personalidade própria – há coisas inatas em cada um de nós – mas prefiro esperar que me surpreenda e me indique então o caminho a seguir como mãe… Sim, vai ser ele a ensinar-me a ser mãe. A ser a SUA mãe.

Abaixo o Ben Harper a tocar uma música do Bob Dylan com a sua mãe. Arrepio-me sempre que a ouço…

Espero que o meu filho um dia “toque a mesma canção” que a sua mãe… E esperar é só o que posso fazer.

Being pregnant…

(imagem retirada da net)

“Being pregnant and giving birth are like crossing a narrow bridge. People can accompany you to the bridge. They can greet you on the other side. But you walk that bridge alone.”

~ African proverb

Pensamentos atabalhoados e um livro

Ora, se aos pais compete (na maior parte das vezes) a decisão de trazer um ser ao mundo, deveria estar implícita a sua obrigação de os amar. Porque raio então nos procriamos enquanto espécie humana? Porque é habitual fazerem-no? Porque toda a sociedade o faz, logo também tenho que o fazer, sem pensar muito nisso? Podem dizer-me que o amor não nos pode ser imposto, terá de acontecer naturalmente e eu concordo, claro. Mas sejamos então realistas e analisemos a nossa capacidade de amar um ser humano que não pediu para chegar ao mundo nem nos deve coisa alguma, antes de tomar qualquer decisão, se possível. E questionemos sempre o que está auto-declarado pela sociedade com o “normal”.

Disciplina para educar é necessária, sim. Que aos pais não compete a função de ser amigos dos filhos, também. Mas o amor, esse… incondicional é o que se quer. Humilde, dedicado, desmesurado…

Pensamentos atabalhoados de uma grávida cansada que já enxota o calor à vassourada… Entretanto, mais um livro lido enquanto me debato com a vontade de comer todos os gelados do mundo e mais algum.